1. HISTÓRICO – Decreto Ereção Canônica
Aos trinta dias do mês de março de mil novecentos e setenta e um foi legitimado o Decreto de Ereção Canônica da Paróquia Nossa Senhora das Dores de Lobato, buscando atender o maior proveito espiritual de uma porção do querido rebanho deste território.
Esta Paróquia surge mediante solicitação de párocos que acharam por bem desmembrar das Paróquias dos Mares, Nossa de Guadalupe e São Braz de Plataforma, o devido território de Lobato para nele criar a nova Paróquia Nossa Senhora das Dores de Lobato.
Por decreto de jurisdição ordinária, assinada por D. Eugênio de Araújo Sales, Arcebispo Primaz da época, e pelo Cônego Waltério Gonçalves da Silva, Chanceler, assim foi delimitado as áreas de missão paroquial, ficando acordado: Inicio na Fábrica e na Rua dos Fiais, seguindo pela Av. Afrânio Peixoto (antiga Suburbana) até a Ilha de Santa Luzia, limitando-se a Paróquia dos Mares. Seguindo ainda a Avenida citada, envolvendo na margem esquerda as Ilhas de Santa Luzia, Rato e Joanes e as instalações da Ferroviária Federal S/A e a ponte sobre a enseada do Cabrito, abrangendo o Alto do Cabrito, limitando-se com as Paróquias de São Braz e São Bartolomeu de Pirajá respectivamente. Daí voltando para Rua Voluntária da Pátria, abrangendo ambos os lados da mesma como também as travessas menores e a Baixa do Cacau, na parte voltada para Rua Voluntários da Pátria, até a Rua dos Fiais, ponto de partida inicial – limitando-se com a Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe.
Desta forma, foi erigida e constituída a nova paróquia sendo intitulada como padroeira Nossa das Dores.
2. Uma história escrita por muitas mãos
A Comunidade Nossa Senhora das Dores começou as suas atividades em 1966, por um grupo de pessoas que se reunia em um pequeno galpão para orar. Como ainda era atendida pela Paróquia Nossa Senhora dos Mares, o grupo e moradores do Lobato dependiam da mesma para realização dos sacramentos como por exemplo, o batismo.
Em 1968, a comunidade se tornou independente e passou a funcionar como paróquia. Para isto, o Padre Tiago Sonneville (belga) assumiu a mesma como pároco, além das paróquias do Alto do Cabrito e Boa Vista do Lobato. Em seguida, veio uma freira, a Irmã Vilma (paraibana) para ajudar o padre nas atividades da então Paróquia Nossa Senhora das Dores. Já no ano seguinte, chegaram as freiras (belgas) da Congregação Missionárias de Jesus Crucificado.
Esta congregação é brasileira, fundada em Campinas, São Paulo em 03/05/1928, por Madre Maria Villac, esta tem como tema de sua ação missionária Discípulas de Jesus hoje, na periferia do mundo, a serviço e em defesa da vida, desenvolvendo suas realizações mediante o lema “Vivenciar com fé e realismo, ternura, ousadia a trajetória humana na partilha do carisma, fazendo acontecer as relações tecidas pelo amor, respeito e solidariedade.
Conforme Decreto de Ereção Canônica somente em 1971, a paróquia foi registrada na Arquidiocese de São Salvador. As pessoas continuavam com as atividades no salão de reuniões e na época, o Padre Tiago criou algumas pastorais.
3. DESCRIÇÃO DA SITUAÇÃO POPULACIONAL EM LOBATO EM 1971
Santa Luzia, Prainha, Jardim Lobato, Boa Vista do Lobato, Alto do Cabrito, Joanes (nome de uma das ilhotas cercadas por manguezais que existiam na região) são algumas das subdivisões do primeiro bairro do subúrbio ferroviário, espalhadas em três administrações regionais.
O bairro de Lobato está localizado na falha geológica de Salvador, ao norte do bairro de São Caetano. Na sua parte mais ao nível do mar é atravessado pela Avenida Suburbana e pela Linha Férrea Federal. Apesar da vista privilegiada da Enseada dos Tainheiros, na Ribeira, a fama vem do fato de ter sido o local onde foi descoberto o primeiro poço de petróleo no Brasil, em 21 de janeiro de 1939, período da campanha nacionalista do presidente da época, Getúlio Vargas, O Petróleo é nosso.
Lobato, em 1930 tornou-se o marco de descoberta de petróleo do país, no final da década de 30, durante a campanha pela nacionalização dos bens do subsolo.
Em 1939, Lobato era uma fazenda. As suspeitas de que poderia haver petróleo no local começaram quando se descobriu que um grupo de pescadores usava uma "lama preta" para acender os candeeiros. Embora, abrigar o “ouro negro” do país, o local considerado o marco zero na descoberta de petróleo - batizado em homenagem a Francisco Rodrigues Lobato, proprietário da fazenda onde foi descoberto o poço - tornou-se uma comunidade pobre, com taxa de elevadas de analfabetismo e criminalidade.
Por volta de 1970, a favela começou a se formar, depois que a produção de petróleo foi interrompida.
Conforme texto de Suza Machado em reportagem antiga do Jornal A Tarde, as primeiras casas no local, atualmente denominado como Rua do Amparo, foram construídas pelo governo do Estado em 1971, para acolher famílias desabrigadas pelas chuvas que residiam em áreas próximas, a Bananeira, Baixa do Cacau e Santa Luzia.
A descoberta do primeiro poço de petróleo do país completa 70 anos, e no cenário político nacional tem sido requerida a proposta para que o Ministério da Cultura (MinC) preserve o local a partir das diretrizes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) por solicitação da própria Petrobras.
4. FATOS FUNDANTES QUE MARCAM O INÍCIO DA PARÓQUIA
4.1. Históricos
Entre as décadas de 70, 80 e 90, os deslizamentos de terra e as inundações, contextualizam a situação habitacional do Lobato neste período. Tais eventos ocorriam em função das casas serem construídas em cima ou embaixo de colinas, sem fundações suficientes para tal instalação de moradia. Como pode ser lembrado o desabamento do “MUSTANG” em 1999, perto da Azevedo Madeireira, dentre outros incidentes.
É possível também lembrar a pavimentação da Avenida Suburbana, construída sobre o mar, numa altura superior a 1,50m, aproximadamente. Surgiram assim as primeiras casinhas junto à linha férrea e da Rua Voluntários da Pátria em decorrência do aterramento.
4.2. Religioso
Em maio de 1971, ocorre a compra de uma casa situada na beira do mar, sendo ocupada pelas irmãs Cônegas de Santo Agostinho que permaneceram durante um ou dois anos, aproximadamente. Ainda no mesmo ano, também atuaram no trabalho as Irmãs de Jesus Crucificado: Irmã Marina, Irmã Maria Luiza, Irmã Helena e Irmã Ana Rita. A casa que abrigava as irmãs durante as marés altas enchia quase todas às vezes, agredindo também a Rua Voluntários da Pátria e a linha férrea.
Durante os finais de semana o Padre Tiago Sonneville prestava assistência sacerdotal, cabendo às irmãs a responsabilidade da pastoral.
As irmãs da congregação religiosa citada foram substituídas pelas Irmãs de Compostrini que tinham como assistente espiritual o Padre Mathon, este que até então também era assessor “JOC” e “JOCF” da Arquidiocese na época.
Ainda em dezembro de 1971, conforme ata de constituição, surge o Centro Comunitário de Lobato, presidido por Jacques Jules Sonneville, tendo por secretária Maria Izaura de Souza. É possível registrar que entre os sócios fundadores estavam: Maria Luiza Camandaroba (sócia), Sandra Maria Gonzaga (tesoureira), Maria Izaura de Souza (membro), Alfredo Vicente dos Santos (membro), Acidália Reis Pinheiro (membro), Maria Guiomar Portela (membro), Valter Cezário de Santana (membro), José Lúcio Cardoso de Oliveira Filho (membro), Edson Santos Silva (sócio), Neusa de Jesus Alves (sócia), Josenir Costa Santos Antas (sócia), Ricardo Ferreira Cerqueira (sócio), Yveta Cavalcante Silva (sócia), Ambrosina da Silva (membro), Eurydice Muniz Lopes (sócia), Valdice Souza Santos (sócia), Helena Soares da Silva (sócia) e Maria Rita Costa Ribeiro (sócia). Todos unidos com a finalidade de prestar assistência social à comunidade do Bairro de Lobato, nesta cidade do Salvador.
Entre 1976/1977 a Igreja Matriz é edificada acima deste Centro Comunitário, ao lado da casa paroquial em que moravam as irmãs.
5. NOSSA SENHORA DAS DORES EM LOBATO
O nome da Paróquia foi praticamente escolhido pelas Irmãs de Jesus Crucificado, visavam estas que Nossa Senhora por sua experiência de sofrimento, implorasse junto ao Filho, o alívio e oferecesse as dores do povo de Lobato. O significado redentor destes sofrimentos unido a paixão de Jesus fica expresso pela palavra de São Paulo:
“Agora me alegro nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que é a Igreja. Dela fui constituído ministro, em virtude da missão que Deus me conferiu de anunciar em vosso favor a realização da palavra de Deus.” (Col 1,24-25)
Assim, vivemos o ministério pascal do sofrimento e da morte para esperança e ressurreição, segundo o exemplo de Maria aos pés da cruz. Por isso, a Igreja reza à Maria no dia 15 de setembro, celebrando sua compaixão, piedade e suas sete dores, cujo ponto mais alto se deu no momento da crucificação de Jesus. Essa devoção deve-se muito à missão dos Servitas – religiosos da Companhia de Maria Dolorosa – e sua entrada na Liturgia aconteceu pelo Papa Bento XIII.
A devoção a Nossa Senhora das Dores possui fundamentos bíblicos, pois é na Palavra de Deus que encontramos as sete dores de Maria: o velho Simeão, que profetiza a lança que transpassaria (de dor) o seu Coração Imaculado; a fuga para o Egito; a perda do Menino Jesus; a Paixão do Senhor; crucifixão, morte e sepultura de Jesus Cristo.
A Igreja em Lobato, não recorda as dores de Nossa Senhora somente pelo sofrimento em si, mas sim, porque também, pelas dores oferecidas, a Santíssima Virgem participou ativamente da Redenção de Cristo. Desta forma, Maria, imagem da Igreja, está nos apontando para uma Nova Vida, que não significa ausência de sofrimentos, mas sim, oblação de si para uma civilização do Amor. E esse foi o desejo de todos os paroquianos de Lobato ao longo desses 40 anos.
Fontes: Arquivos (1. Ata de Ereção Canônica da Paróquia Nossa Senhora das Dores de Lobato; 2. Ata de Constituição do “Centro Comunitário de Lobato”; Documentário: A Pastoral da Criança em Lobato) e Pastoral de Comunicação Paroquial
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